Enviado por cgmi em qua, 06/01/2016 - 15:35

Quem visitar a praça da alimentação da feira ‘Saberes e Sabores da Agricultura Familiar’, que faz parte da programação da 2ª Cnater- Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, de 31 de maio a 03 de junho, vai encontrar novidades apresentadas por integrantes de um movimento que a cada dia ganha mais adeptos na gastronomia em todo o mundo, oSlow Food.

O zootecnista Leonardo Hamu, com especialização em produção animal, já integra o movimento há mais de 10 anos. Ele vai ser um dos ‘chefs’ da feira e vai colocar à disposição do público suas criações inspiradas no slow food. Hamu não tem qualquer dúvida quanto ao acerto de sua participação. “Você se torna uma pessoa mais integral, íntegra, tanto na vida profissional quanto na pessoal, ao adotar os princípios do slow food”, explica.

Sabores refinados

Criado em 1986, pelo italiano Carlo Petrini, que hoje atua como um embaixador internacional do movimento, o Slow Food chega aos 30 anos de existência com mais de 100 mil membros, escritórios próprios na Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido, e conta com apoiadores e grupos de ativistas em cerca de 150 países.

Defendendo o prazer e o sabor na alimentação cotidiana a um ritmo diferente, mais ‘slow’ (lento, em português) e suave, tanto no consumo quanto na produção, bem como uma agricultura orgânica que, além de recusar qualquer tipo de adubação química e o uso de pesticidas e agrotóxicos, o slow food caiu no gosto de agricultores familiares, já adeptos de métodos tradicionais de plantio e de produção de alimentos.

Para produzir seus alimentos artesanais, Leonardo Hamu se utiliza da filosofia e da prática doslow food e acredita que por sua própria formação, herdeiro das tradições rurais de Formosa (GO), achou no movimento um caminho adequado para compartilhar suas ideias. Na feira, ele vai oferecer ao público três quitutes: pão com linguiça, pão com carne de lata e paçoca de carne seca. Mas tudo feito com requinte e sempre respeitando os princípios do slow food, em sua pequena propriedade familiar na região rural de Brasília.

“Começa pela criação dos bovinos e suínos, que estão livres de defensivos agrícolas e de alimentação artificial”, explica o produtor. Hamu afirma que todo o processo segue na linha orgânica e no tratamento artesanal das carnes, como no caso das linguiças, em que a máquina de moer é dispensada e o embutido ganha diferentes consistências ao ser lacerado por ponta de faca. A tripa utilizada também é do próprio animal, e a defumação é feita com lenha aromatizada com óleos e folhas cítricas de árvores do cerrado e a carne leva temperos tradicionais regionais.

“Como ‘chef’ de cozinha, procuro dar os sabores mais refinados aos produtos que ofereço ao consumidor, para que ele possa viver esta experiência buscada pela slow food, aliando qualidade e sabor, para fazer da alimentação cotidiana um momento especial de prazer. Precisamos valorizar a cultura alimentar regional e uma comida rica, saudável e, de preferência, com produtos locais”, diz Leonardo Hamu.

Mas a alimentação saudável e saborosa, que respeite e recupere a cultura alimentar regional, não é a única bandeira do Slow Food.  O movimento tem defendido em campanhas internacionais o não desperdício de alimentos e o aproveitamento em larga escala de produtos que, apesar de comestíveis, são descartados de centrais de abastecimento apenas por sua aparência estética.

Menos desperdício, mais comida

“Há estimativas de que 30% de tudo que é produzido na agricultura acabam sendo jogados fora, é um absurdo muito grande. Por isso mesmo, o slow food criou o Disco Xepa para tentar mudar essa cultura do desperdício. Já imaginou quantos milhares de pessoas em todo o mundo se beneficiariam de uma mudança nessa estatística?”, questiona Leonardo Hamu.

Em Brasília, o Disco Xepa ocorre duas vezes por ano na Ceasa (DF) - Central de Abastecimento do Distrito Federal, quando todo o público e produtores são mobilizados para aderirem ao projeto de acabar com o desperdício e diminuir a questão de falta de alimentos, que afeta boa parte da população mundial.

“Nós precisamos retomar métodos tradicionais e saudáveis que garantam a nossa sustentabilidade e a das futuras gerações”, conclui Leonardo Hamu.

Serviço

Feira Saberes e Sabores da Agricultura Familiar

Data: 31 de maio a 03 de junho (terça a sexta-feira)

Hora: De 12h às 20h (31/05 a 02/06 ) e  de 10h às 15h (03/06)

Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães – Eixo Monumental – Brasília DF

Entrada franca

Ascom/MDSA